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O REI ESTÁ MORTO

quarta-feira, 4 de abril de 2012



Por: Joaquim Filho

Se fosse para anunciar a triste notícia de morte em um reinado, o mensageiro sairia pelas ruas da cidade e diria em voz alta, aos súditos: “O rei está morto.” O poeta Carlos Drummond de Andrade se utilizaria da metáfora e diria: “E agora, José? Getúlio Vargas momentos antes de cometer suicídio, escreveu a seguinte frase: “Saiu da vida para entrar na história.”

E o que terá dito o rei antes de entrar para a eternidade? Para o seu filho amado, quando foi buscar tratamento para sua enfermidade, em voz baixa, proferiu as suas últimas palavras: “Meu filho, eu vou, mas sei que não volto.” Vê que até diante da morte o rei foi paciente, estrategista e sábio: viajou para nunca mais voltar.

E, não podendo mais vir, enviou seu corpo para que no castelo a família, os parentes, os amigos, os súditos e todo o reinado pudessem prestar as últimas homenagens àquele que por mais de seis décadas reinou com empreendedorismo, sabedoria, erros e acertos, enfim.

Quando seu corpo chegou, um profundo silêncio invadiu os arredores do castelo e, anjos que o acompanharam, ficaram em vigília, ouvindo a conversa dos vivos que durante o dia e toda a noite ficaram em sentinela. As histórias foram muitas, pois quem reina tanto tempo assim, com certeza deve ter deixado muita história para ser escrita e contada. Sim, houve aqueles que também ousaram e falaram dos defeitos, pois, não há rei que não tenha cometido seus erros, para com os súditos.

O espírito já havia viajado, mas como é costume da côrte que se cumpra todo um ritual em torno da matéria, então, o corpo do rei desfilou em carro aberto pelas ruas da cidade onde uma multidão de pessoas o acompanhava e outra o saudava das portas e das janelas das casas.

Levado para o Templo que fora superlotado pela multidão, o Sacerdote realizou celebração e, na homilia falou da vida e da morte, que Deus não é indiferente nem à vida e nem à morte. Disse ainda que ninguém julgasse o rei, pois só Deus sabia do seu coração e da sua fé.

Conhecedor das virtudes do rei, o Sacerdote fez questão de elencar algumas delas para a multidão que orava, cantava e fazia preces a Deus pela alma do rei que partira.

Fim da celebração, recomendação do corpo e, mais uma vez, lá se vai o corpo do rei pelas ruas da cidade, em carro aberto, seguido pela multidão, para o seu sepultamento no campo santo, em um local mais alto da cidade.

“Aprendi muito com o rei. Sempre o respeitei, honrei e amei até o último dia de sua vida.” Com essas palavras, a rainha se despede do rei.

Tudo está consumado. O rei está morto.
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