Rosas no Burel
Samuel Barrêto/ Manuel Santana (Manoelzinho)
A Vila nasceu abençoada
Ergueu o templo primeiro
Águas tranquilas consagradas
Na festa de tantos terreiros
O Santo Negro que deu luz
Buscava o fim da escravidão
Antes da batalha que traduz
Benedito revelava abolição.
Na Sicília veio ao mundo
Pastorou o seu rebanho
Pela fé trilhou profundo
Caridade sem tamanho.
Nos martírios dos navios
Os lamentos dos irmãos
Benedito sofreu junto
Com a lei da perversão.
O que levas Benedito
Nas dobras do teu burel?
São as rosas meu senhor,
Com perfume mais fiel
Quero o riso dos aflitos
Como a pureza do mel!
São Benedito protege
Os garçons e os pedreiros
Ilumina os seus devotos
No tambor do padroeiro.
Cada ano em sua festa
Os milagres sempre vêm
O meu coração dispara
Com ladainha e amém.
João Menezes belas missas
João do Vale num baião
Mostrando toda beleza
Na lira que vem do chão
João Floriano encanta
Nos raios da alvorada
Jacinto deu vida à festa
Benedito e a foguetada.
Pedreiras que acredito
Louvando São Benedito
Na fé e na tradição.
Sou vela que não se apaga
Bondade que se propaga
No rito da procissão.








