
Por: Joaquim Filho
DR. ALLAN ROBERTO EXPLICA O X DA QUESTÃO
Inicio este texto para o quadro o POVO QUER SABER, me reportando rapidamente à história da política brasileira, para relembrar aos que assistiram de pé e guardam na memória, o que se deu no início da década de 70.
O início dos anos 70 foi marcado pelo chamado "milagre econômico" brasileiro. Mas não é de economia que queremos falar e, tampouco de milagre, mas de algo mais complexo e relevante para nos situar no tempo e no espaço da história do Brasil.
Sabe-se que no campo da política brasileira, nesse período, nós vivíamos a passagem de década com o clímax da intolerância, com censura à imprensa e atos violentos contra a oposição.
O general Emílio Garrastazu Médici comanda uma política totalmente autoritária com a determinação de exterminar os grupos de esquerda, com a criação de organizações regionais de repressão vinculadas ao Exército. Seus objetivos eram a prisão, tortura e assassinato dos ativistas de esquerda.
Nessa mesma década, nas terras do Maranhão, num povoado chamado Monte Castelo, em São Raimundo Doca Bezerra, na época Distrito de Esperantinópolis, era gerado uma criança que depois viera nascer na cidade de Pedreiras, no dia 09 de fevereiro de 1971, um menino que seria batizado com a graça de Allan Roberto Costa Silva, filho do humilde casal Maria José da Costa Silva e José de Salles da Silva; ele, lavrador e ela quebradeira de côco babaçu, neto de carroceiro e pescador e também de quebradeiras de côco. Foi o primogênito dos cinco filhos do casal.
Mas o que o preâmbulo dessa narrativa tem a ver com a história do menino que foi gerado na zona rural, lá em Monte Castelo, mas que teve o prazer de nascer em solo pedreirense? Quem lê nas entrelinhas saberá fazer suas conclusões.
Com sete anos de idade veio com a família para a cidade de Pedreiras onde estudou, viveu uma vida normal como qualquer criança, participando da vida social, cultural e religiosa da cidade, chegando a frequentar o Grupo de Acólitos São Tarcísio, na Paróquia de São Benedito, ainda sob a administração paroquial do Padre Jacinto Brito, atualmente Arcebispo de Teresina/PI. “Dom Jacinto Brito foi nessa época muito importante na minha educação, sendo meu orientador espiritual até hoje. Por isso, sempre brinco que fui um de seus pupilos prediletos quando acólito, na Paróquia de São Benedito.”
Aos 13 anos de idade Allan Roberto saiu de Pedreiras para ir estudar o segundo grau em São Paulo e, aos 17 anos ingressou na Faculdade, na cidade de Vassouras, no Estado do Rio de Janeiro, para cursar Medicina, o sonho que almejou desde criança, por ser essa profissão, um sacerdócio.
Por razões de ter entrado na Faculdade ainda muito jovem, com 17 anos de idade e, não ter cumprido com as suas obrigações militares, ao concluir o seu curso de Medicina foi servir as Forças Armadas – Aeronáutica – como Tenente Médico R2 onde ficou por um ano.
No ano de 1996, com o intuito de se convalescer de um trágico acidente de helicóptero, veio para Pedreiras com o seguinte pensamento: assim que se recuperasse física e psicologicamente, retornaria para São Paulo.
Mas a verve política estava no sangue do jovem Dr. Allan Roberto, que ao chegar a Pedreiras, no ano de 1996, no fragor e na efervescência de uma campanha política já foi logo se envolvendo e usando o que ele mais aprendeu a fazer: expressar-se com conhecimento de causa, tanto na sua área médica como nas demais; utilizar-se da caneta para elogiar, criticar e reivindicar seus direitos e de outrem; às vezes, polêmico e extremo nos embates em que é provocado; ora amável, educado e muito prestativo; ora um prepotente, um arrogante que não media palavras e pessoas para dizer o que bem entendia.
Foi com essa postura que o Dr. Allan Roberto iniciou a sua carreira política e médica na cidade de Pedreiras.
Como nós dizíamos, ao chegar a Pedreiras - 1996, petista de longa data, abraçou a coordenação de campanha do Partido dos Trabalhadores de Pedreiras, que tinha como candidato a prefeito o militante ativo e fervoroso do PT, o empresário Henrique; e, na Trizidela do Vale, em sua primeira eleição, o Biólogo Ivo.
Após a eleição em que foram eleitos Edmilson Filho e Paulo Maratá, envolvido na política local e já muito ativo como médico na região, Dr. Allan foi ficando, assessorando os vereadores Maria do Hélio e Eliud na oposição a Edmilson Filho e envolvendo-se nos movimentos sociais.
Em 2000, Dr. Allan Roberto se candidatou a vereador e foi o vereador mais bem votado nessa eleição e, por dois biênios esteve Presidente da Câmara Municipal de Pedreiras. Conclui o seu mandato e por questões particulares e políticas resolveu não se candidatar à reeleição nas próximas eleições.
Em 2004, Dr. Allan Roberto participou da primeira campanha do atual prefeito de Pedreiras, Dr. Lenoilson Passos e, assumiu o cargo de Secretário de Articulação Política, que segundo ele, por ter se decepcionado com a forma de governar do prefeito, resolveu pedir exoneração do seu cargo e ir cuidar da sua vida de médico.
Segundo Dr. Allan, devido ter sido aprovado em vários concursos na cidade de São Luís – pois tem 05 empregos - foi morar na referida cidade, fato que lhe fez afastar-se da vida política, social e profissional de Pedreiras, a partir de 2007.
No ano de 2008, Dr. Allan Roberto retorna a Pedreiras para coordenar a campanha de Raimundo Louro – antes seu maior adversário –campanha esta que culminou com a reeleição do prefeito Lenoilson Passos. Em 2010, retorna por várias vezes a Pedreiras e aos finais de semana para dar apoio à candidatura de Raimundo Louro a Deputado Estadual, pois foi uma das poucas lideranças locais que apoiaram o Deputado.
Em outubro de 2011, Dr. Allan Roberto aterrissou o seu helicóptero em Pedreiras. Não foi pouso forçado e nem desceu de para-quedas. Veio de livre e espontânea vontade, atendendo a um convite de trabalho do ex-adversário político, o hoje aliado, o Deputado Estadual Raimundo Louro, para assumir o Hospital Nossa Senhora das Graças e fazer articulação política para o grupo político do Deputado, que ora se levanta contra a atual administração de Pedreiras. Atualmente, com a união do grupo político de Raimundo Louro com o de Totonho Chicote, Allan é o cooordenador político do grupo de oposição.
Por ser polêmico e não ter medo de falar o que pensa, acreditamos que a entrevista de Dr. Allan Roberto causará uma grande repercussão no meio político.
Aqui, ele acusa o Prefeito Municipal de Pedreiras de incompetente, como também aponta o Ministério Público de Pedreiras por não agir diante dos desmandos do Prefeito e, aproveita e manda um recado: que tanto o Ministério Público como o Prefeito de Pedreiras podem interpelá-lo judicialmente, pois o mesmo está preparado para responder a quaisquer questionamentos com provas materiais.
Ouça agora, na íntegra, a entrevista que o Blog Pedras Verdes realizou com Dr. Allan Roberto, nessa manhã de domingo, na Clínica Nossa Senhora das Graças, no dia 03 de junho de 2012.
JOAQUIM FILHO: Hoje são três dias de junho de 2012, o Blog Pedras Verdes se encontra aqui na Clínica Nossa Senhora das Graças, no Bairro do Engenho, onde nesse momento, nós estamos visitando o médico, Dr. Allan Roberto, filho de Pedreiras, que mais uma vez retorna para essa cidade, para prestar o seu trabalho político e o seu trabalho médico, como um grande profissional. Dr. Allan, bom dia!
DR. ALLAN ROBERTO: Bom dia, Joaquim Filho! Eu sou Allan. Allan Roberto Costa Silva. Sou filho de Pedreiras. Liderança política daqui. Profissional- médico que sirvo esse povo há muito tempo e estou aqui à disposição para prestar quaisquer esclarecimentos que esse Blog queira e satisfaça a curiosidade do povo de Pedreiras.
JOAQUIM FILHO: Dr. Allan, quem acessa o Blog observa que o seu nome – Dr. Allan Roberto – é muito requisitado para dar uma entrevista nesse Blog. E, as pessoas que fizeram essas solicitações, elas sabem por que querem lhe ouvir. Você, além de ser um bom médico é um grande profissional na área da política. Militou várias vezes aqui em Pedreiras, na questão política, não só em Pedreiras como Trizidela do Vale. Passou um tempo fora. Foi a São Luís onde fez um novo trabalho. Agora está retornando a Pedreiras. Gostaria de ouvir a sua justificativa. Você, pelo fato de ser uma pessoa polêmica, todo mundo sabe disso em Pedreiras. Por ser também uma pessoa que forma opinião. Uma pessoa extremamente estudiosa. Um grande leitor de vários assuntos. Não há quem não tenha medo da sua caneta e, muitas das vezes, da sua língua. Pois, aonde você vai, onde você leva sua palavra, você cria opinião. Gostaríamos que você comentasse sobre tudo isso
DR. ALLAN ROBERTO: Verdade! Eu acompanho o blog e vejo às vezes muitas solicitações de pessoas que solicitam uma entrevista comigo. Uma vez, eu ri bastante, porque um expectador do blog disse ‘que só iria acreditar na seriedade desse blog no dia que entrevistasse o Dr. Allan.’ Na verdade, eu comecei cedo na política. Eu comecei ainda no movimento secundarista, na campanha da Luíza Erundina, no PT, em 88, em São Paulo. De lá para cá, eu continuei na política no Movimento Estudantil de Medicina, onde eu fui presidente de Diretório Acadêmico; presidente de Diretório Central de Estudantes – DCE; fui Diretor de Escolas Pagas e Escolas Médicas, da União Nacional dos Estudantes – UNE; coordenador Sudeste da DENEM – Direção Executiva Nacional dos Estudantes de Medicina da Região Sudeste. E já tenho alguma experiência política desde a minha adolescência. A partir daí comecei a militar na política partidária, na política eleitoral. Eu costumo dizer que eu sou forjado e formado na luta dos movimentos sociais já de algum tempo. Quando eu sair dos movimentos estudantis e sociais, eu me engajei na política eleitoral, aqui em Pedreiras quando eu cheguei em 1996. Na verdade, eu tive que sair de Pedreiras, em 2007, por questões de ordem familiar, a minha esposa queria porque queria morar em São Luís, era a época dos meus filhos estudarem em São Luís também. Mas principalmente porque eu fui aprovado em dois concursos públicos, em São Luis e, não podia ficar indo e voltando. Estou de volta agora desde outubro, a pedido e a convite do Deputado Raimundo Louro, para assessorar o grupo político dele na área política, exclusivamente. Também coordenar o grupo de oposição na campanha a prefeito. Além de profissionalmente e principalmente tomar de conta do hospital dele, como médico, trabalhar na Clínica Nossa Senhora das Graças, nesse ano eleitoral.
JOAQUIM FILHO: Dr. Allan, em 2004, você foi coordenador de campanha do grupo do atual prefeito, Dr. Lenoilson Passos. Logo após a campanha vencedora, o senhor esteve como Assessor para assuntos políticos, desse mesmo governo que está aí. Depois, o senhor falou agora a pouco que saiu de Pedreiras, devido alguns concursos que fora aprovado. Agora retorna a Pedreiras. Gostaríamos que o senhor fizesse um balanço, tanto na questão administrativa já englobando a saúde, já que o senhor é um médico. De que forma o senhor vê Pedreiras, atualmente?
DR. ALLAN ROBERTO: Verdade.Eu fui candidato a vereador em 2000. Fui eleito o vereador mais bem votado daquela eleição. Antes dos 30 anos de idade fui eleito Presidente da Câmara e fiquei os quatro anos de vereador como presidente. Não fui candidato à reeleição. Confesso-lhe que não gostei muito da vereança e achei mais importante naquele momento - eu, no caso – coordenar a campanha de Lenoilson para que pudéssemos mais importantemente tirar Raimundo Louro da Prefeitura. Eu precisava estar à frente daquela campanha de Lenoilson, alguém que tivesse a experiência, peito, coragem e conhecesse os métodos de Raimundo Louro, como eu já vinha fazendo nos quatro anos, na oposição a ele. Fui ajudar a coordenar a campanha de Lenoilson e, no final, ganhamos, saímos vitoriosos. Fui Secretário de Articulação Política, no primeiro ano do governo Lenoilson. Confesso que foi um primeiro ano de extrema decepção. Somente depois de seis meses foi que o Prefeito reuniu o Secretariado. Era completamente ausente da gente. E, a gente se olhava angustiado, sem saber quando iria começar o governo! No dia que ele reuniu, todo mundo vibrou e disse: “Agora, sim, o governo vai começar!” Era muito frustrante ver que tudo aquilo que eu combatia no governo Raimundo Louro, estava se repetindo no governo Lenoilson Passos e, até em grau mais profundo de corrupção, de desleixo administrativo, de ingerência, de imprudência e de descuido para com a nossa cidade e o nosso povo. Aqui, eu gostaria de abrir parênteses e explicar uma situação que no Blog sempre jogam para mim: o fato de eu ter-me aliado a Raimundo Louro. As pessoas que sempre jogam a mim que eu durante quatro anos combati veementemente Raimundo Louro, e, que fui responsável pela não reeleição dele. Elas são pessoas que não estão concatenadas, não estão localizadas, elas estão ausentes da política local, da política estadual e da política nacional atual. Ou então, não entendem de política.
Por exemplo, Winston Churchill, um dos maiores políticos da humanidade disse que o seu potencial adversário de amanhã é o seu aliado de hoje. E o seu potencial aliado de amanhã é o seu adversário de hoje. Eu combati, sim, Raimundo Louro e não me arrependo. Até me orgulho de ser aliado dele hoje. Até porque sei que Raimundo amadureceu muito. Confessa publicamente, já ouvir confessar que cometeu erros, erros gravíssimos. Reconhece esses erros, que não vai voltar a cometê-los. Eu não posso é porque um dia, ele errou e combateu e eu o combati, ficar do lado dessa laia aí de corruptos piores do que ele. Incompetentes, ingerentes, só porque um dia eu combati Raimundo, então, eu não posso mudar. Na verdade, até os processos que Raimundo responde hoje, é ficha suja, são processos todos que eu sou o autor. Não tenho vergonha de dize isso. Ele em vez em quando brinca com isso! Mas, na verdade, o que eu não posso é ficar contribuindo com um governo desses, que eu vi desde o início. Participei de dentro, que é um governo pior do que o governo Raimundo Louro. Um governo pior em todos os aspectos. Além do aspecto da corrupção, o aspecto da incompetência e da ingerência administrativa. Portanto, parem com essa história de dizer por que eu combati o Raimundo Louro, eu não posso me aliar a ele, porque se não, o Jackson Lago não pode ter se aliado ao Zé Reinaldo Tavares; o Lula não podia ter se aliado ao Sarney; o PT do Maranhão que tem o Washington como vice de Roseana Sarney, não podia estar junto – Sarney e o PT. Não podia de forma alguma ter havido essas alianças todas. A política é dinâmica e nela não existe condição do nunca e nem do jamais em política. Então, é hipocrisia o que esses internautas e acompanhantes do blog fazem quando para me acusar, ficam jogando isso contra mim. Pode em todos os políticos. Só não pode para o Allan? Outra coisa que costumam usar contra mim é sobre as minhas contas quando Presidente da Câmara Municipal de Pedreiras. Tenho um exercício aprovado, outro aprovado com ressalvas e dois reprovados. Mas o TCE jamais apontou desvio de recursos públicos em minhas contas, apenas erros técnicos, chamados atecnias, como a publicação de um edital ou relatório fora do prazo etc. Então, na verdade quando a crítica vem, é porque o sucesso incomoda. Essa questão, eu queria deixar bem clara, aqui.
JOAQUIM FILHO: Dr. Allan, a cidade toda sabe que além de você estar em Pedreiras realizando um trabalho como médico, o senhor está sendo também um grande articulador político do grupo de oposição, que praticamente apresentará como pré-candidato, o empresário Totonho Chicote. Eu pergunto ao senhor: diante dessas palavras, o senhor acredita que esse grupo pode ser diferente do que está ai. O senhor acredita nisso?
DR, ALLAN ROBERTO: Se eu não acreditasse, eu não estaria no grupo. Eu sou coordenador político desse grupo. Dentre a coordenação colegiada que esse grupo tem. O que esse grupo tem é uma proposta para Pedreiras, e nós temos um grupo de trabalho que vai fazer um plano de governo diferente, composto por mim, Dr. Paulo César, Edimilson Filho, Sessé Bulhão e outros para fazer um governo completamente diferente. Um governo participativo. Um governo com um projeto desenvolvimentista. Vejam bem: nós temos com essa questão da descoberta de óleo e petróleo na nossa região, nós temos uma previsão para em cinco ou no máximo dez anos, termos mais de 200 habitantes em nossa região. Que plano, que ações esse atual governo está fazendo para preparar a nossa cidade para esse “boom”, para essa explosão populacional? Nós temos 25 a 28 mil empregos no Estado do Maranhão. A maioria, aqui, nesta região. Nós não temos nem cinco mil pessoas preparadas em mão de obra para ocuparem esses empregos! Vamos terminar perdendo para pessoas que virão de outros estados. Que plano, que ações que esse governo que está aí, tem em prática, para preparar os nossos jovens, para poder ocuparem essas vagas, esses empregos? Vão terminar sendo os peões, sendo esmoleis dessas vagas que estão vindos de excelentes salários. Então, esse governo que está aí, tem um projeto para uma educação diferente, para uma saúde diferente, para haver um projeto de desenvolvimento para Pedreiras. Para que nós saiamos dessa questão do empreguismo, do assistencialismo do empreguismo em cima da prefeitura, de prefeito ter que dar emprego de contrato e ter a pessoa ali como escrava dele, escravo de consciência, tirando o livre arbítrio da pessoa, tirando a liberdade de expressão. Dando oportunidade de a pessoa crescer e realmente se emancipar como cidadão. Eu faço parte desse grupo e faço parte desse plano de governo, porque eu acredito que nós vamos executar um projeto desenvolvimentista. Não é um projeto de mesmice, de a pena fazer o feijão com arroz, de pagar o salário, fazer aquelas contratações básicas e achar que está fazendo algo extraordinário. Esse governo que está aí, por exemplo, acha que fez um espetáculo em Pedreiras, porque comprou um prédio e tem um hospital público. Mas um hospital público que disse que não podia manter um cirurgião que é onze mil reais. Entendeu? E, aqui, o hospital Nossa Senhora das Graças contratou esse mesmo cirurgião, por onze mil reais e trouxe para cá. Como que eles que ganham um milhão de reais, não podem pagar um cirurgião, e, esse hospital pode? Esse hospital geral que tem lá um monte de médicos recém-formados, que não tem experiência quase nenhuma, para ficar atendendo os casos de emergência, já que é um hospital pólo. Este hospital geral, que a gente vê que não tem condições de salubridade. Se a vigilância sanitária realmente funcionasse, ele não estaria aberto de forma alguma. Então, este governo que está ai, que não trabalhou para ter um SAMU, aqui. Realmente, recusou o SAMU. Recusou o SAMU da gente e doou para Coroatá. Porque não quer ter despesas. Na verdade, um governo de um prefeito médico, lamentavelmente medíocre como gestor e medíocre como profissional. Como profissional, eu digo, porque nós estudamos na Faculdade saúde pública e ele se recusa a fazer saúde pública. Um governo que está aí e que toda a demanda de clínica médica e pré-natal é feita por enfermeiros, não é por médicos. Lamentavelmente! Toda a demanda de clínica médica e pré-natal é feita por enfermeiros. Não é por médicos! Então, dizer que essa saúde melhorou! Isso é falácia. Um prefeito médico que infelizmente é irresponsável na área da profissão dele. Um governo que administrativamente, na área de infraestrutura é risível, é risível. Que empresa você já viu trabalhar em alguma obra de Pedreiras? Nenhuma. Você vê aquela obra ali do mercado, são cinco ou seis ajudantes de pedreiros, de bermuda, sem camisa, com havaianazinha empurrando um carrinho de mão e o Hermínio tomando nota num caderninho, entendeu? Se você for, por exemplo, em Barra do Corda como eu fui um dia desse, é betoneiras funcionando, funcionários de capacete e bota e macacão... Porque empresas de verdade, que ganharam a licitação é que estão construindo a obra. Aqui, não. São empresas fantasmas, normalmente girando em torno da família do prefeito, que ganha a licitação e a prefeitura faz a obra. Dentro disso tudo, eles fazem um caixa dois, inclusive dos recursos públicos. Então, lamentavelmente, o que nós vimos nesses 8 anos é essa ingerência, essa incompetência, que eles dizem que é um governo extraordinário. E, lamentavelmente, um governo que em oito anos não teve oposição e sempre teve um Legislativo de joelhos perante esses desmandos do Executivo. O que tem que ser feito em quatro semanas nesse governo, demora quatro meses, se não, quatro anos. Somente incompetentes. Somente pessoas de mente curta e medíocre. O prefeito abdicou-se de governar e mora fora de Pedreiras. Delegou mal o seu poder discricionário, a sua função de prefeito. Agora recentemente, nós vimos no diário oficial, uma licitação de uma empresa que pertence a pessoas ligadas ao sogro do prefeito, recentemente falecido, de uma empresa que não podia ganhar a licitação, porque está com o CREA atrasado, de um grande montante de dinheiro para obras. Uma licitação fraudulenta, para justamente agora no período eleitoral fazer caixa dois para campanha. Como também essa contratação de três milhões e meio, de pessoas para contratar em nível de urgência de infraestrutura e saúde, se faz necessário somente para ganhar a eleição com assistencialismo do empreguismo. Eles são competentes para isso. Para tentar enganar o Ministério Público e a população para conseguir os seus objetivos escusos. Mas, para governar para a coletividade e dar uma qualidade de vida adequada a Pedreiras, fazer justiça social, isso eles não sabem fazer.
JOAQUIM FILHO: Dr. Allan, como articulador político, você acredita que o seu nome, a sua pessoa poderá causar alguma alteração nessas eleições de 2012?
DR. ALLAN ROBERTO: Olha, seria muito suspeito eu falar de mim mesmo. Agora, uma coisa é certa: toda vez que se fala do Dr. Allan, há um certo “revodou”. Eu não nasci para ser indiferente. Ou me amam sem motivo ou com motivo. Ou me odeiam com motivo ou sem motivo. Eu não passo indiferente. Até porque eu não vivo dependendo de ninguém. Eu trabalho. Tenho a minha profissão. E a minha profissão me dá a garantia, direito e a tranquilidade para com duas cadeiras e uma mesa e um estetoscópio, onde eu “botar”, eu vivo e vivo bem. Então, eu digo o que penso. Faço somente aquilo que quero. E não compactuo com injustiça. Não compactuo com corrupção. Sou uma pessoa livre. As pessoas que normalmente não andam, principalmente, na questão pública, corretamente, eles têm um certo temor do Allan. Principalmente aqueles que se beneficiam disso como puxa-sacos dos gestores. Eles, mais ainda temem o Allan e gostam de denegrir a imagem do Allan. Mas, eu gosto de repetir, que eu não tenho medo do embate. Eu não tenho medo do debate. Eu não tenho medo da luta. Eu fui forjado e formado na luta. Eu tenho couro de jacaré. Pelo contrário, o debate me atrai, me anima, me agrada. Desde que seja um debate de alto nível e que seja construtivo e em cima de ideias. Sou aberto a mudar de ideias, com as minhas ideias, desde que, o meu interlocutor me convença que estou errado delas.
JOAQUIM FILHO: Dr. Allan, lá no Blog tem um espaço chamado de MURAL, que é uma espécie de local onde as pessoas entram e deixam seus comentários. Algumas assinam e outras deixam até telefone, por exemplo, essa pessoa que vos fala. Mas, outros entram lá de forma anônima e às vezes tentam denegrir a imagem das pessoas. Bom, é público e notório que o senhor tem um problema de ordem pessoal, que é a questão da dependência química. E, eu só estou tocando nesse assunto porque partiu do senhor. Em “off”, me pediu que eu falasse, pois gostaria de falar sobre esse assunto. Isso é um assunto que só diz respeito à sua pessoa. É um problema pessoal seu. Uma luta que você já vem vários anos tentando se libertar desse problema. Mas, aqui e acolá, as pessoas entram no blog e tocam na sua ferida. Uma forma de misturar vida pessoal com vida profissional e mesmo a vida política. O que o senhor tem a dizer para essas pessoas?
DR. ALLAN ROBERTO: Vejam bem: eu não tenho nenhum temor, nenhum prurido em falar de minha dependência química. Até porque falar sobre ela é importante para a minha recuperação. Eu entrei na faculdade muito cedo, com 17 anos. Formei-me com 23. E, aos 23 anos, eu me achava muito imaturo e despreparado para assumir a função médica. Tive uma certa crise existencial. Durante a faculdade toda, eu convivi com várias pessoas e com vários tipos de drogas sem me permiti usar. Nessa fase eu tive contato com cocaína. Permiti-me usar e me envolvi muito rápido com cocaína. Meu primeiro contato com cocaína foi nessa fase. Formei-me, fui para a Aeronáutica e passei 11 anos praticamente sem usar cocaína. Para não dizer que não usei nesse intervalo de 11 anos, eu sei duas ou quatro vezes aqui em Pedreiras quando em situações em mesa de bar, embriagado, pessoas que estavam comigo tentaram e tinham. Em 2007, eu comecei a tomar contato com merla. Da merla, rapidamente com crack. Foi extremamente rápido e devastador. Eu tive consequências em todos os sentidos e setores da minha vida: profissional, físico, psíquico, conjugal, financeiro etc. Já fiz vários tratamentos para isso, com os melhores especialistas do país, em São Paulo, Recife, Fortaleza, Salvador, São Luís. É uma “via crucis” que eu tenho. É uma dor extrema. Quem acha que o dependente químico não sofre! Sofre. Sofre muito. É extremamente doloroso! A recuperação é difícil. Principalmente para cocaína e derivados. Mas é possível. É uma doença crônica. Incurável. Ela apenas estagna. Não tem uma cura definitiva. Durante esses meus tratamentos, eu fiz na UNIFESP – Universidade Federal de São Paulo – que é até o maior centro de estudo de álcool e drogas de São Paulo, uma especialização médica, em dependência química, de um ano e meio. A ciência mostra que os profissionais de saúde que são dependentes químicos, eles têm maior índice de sucesso no tratamento de seus pacientes dependentes químicos, porque sentiram aquilo na própria pele. O meu consultório, no mínimo, um paciente por dia, com o pai ou paciente desesperado, uma mãe ou um paciente que me procura para pedir ajuda em relação a isso – o problema em Pedreiras está muito sério. Depois que eu cheguei, eu já tive uma recaída aqui em Pedreiras, mas eu estou bem avançado no processo de recuperação. Não tenho medo de falar sobre isso. Não me envergonho disso, de forma alguma, até porque durante a minha experiência como dependente químico, apesar de todas as dores, de todo o sofrimento e de todas as perdas, eu cresci muito, muito, muito mesmo como homem e um ser humano. Acho que tem um projeto de Deus nisso tudo. Deus quis me preparar para alguma coisa, com toda essa situação de sofrimento que eu vivi e ainda vivo. Nem que tenha sido para quebrar a minha prepotência, pois eu me descobri que eu era extremamente prepotente e, que eu tinha que ser mais humilde. Nem para que eu tenha que te a minha especialização e entender o meu irmão com mais complacência, com mais misericórdia, para poder ajudar os meus irmãos que sofrem do mesmo problema e suas famílias. Não me importo quando as pessoas por questões políticas jogam isso no blog, como um dia desses jogaram, recentemente e, outras vezes já, para tentar me denegrir. As pessoas sem argumento para aquilo que eu escrevo, usam este argumento da droga para tentar me denegrir; Eu digo aqui que a minha experiência com droga não me diminuiu como pessoa. Pelo contrário, eu hoje me sinto mais fortalecido, mais maduro depois dessas dores e desse sofrimento que a droga trouxe na minha vida, apesar de todas as perdas. Acredito que vou superar o problema. É uma luta grande. Um dia de cada vez. Estou já há bastante tempo sem usar e pretendo não usar mais, mas não posso dizer nunca. É um dia de cada vez. Todo dia eu acordo e agradeço pelo dia de ontem que não usei e peço força a Deus, ajuda para que naquele dia e hoje eu não use. Estou à disposição para quaisquer pessoas que queiram dividir a sua dor comigo, porque está comprovado que a gente consegue, mas não consegue sozinho. Quem vive na própria pele é quem consegue entender a dor do outro e se ajudar mutuamente.
JOAQUIM FILHO: Dr. Allan, gostaria de saber se você pensa em voltar para a vida política de Pedreiras, no que diz respeito a ter um mandato? O senhor esteve vereador, presidente da Câmara Municipal de Pedreiras por duas vezes. O senhor se imagina sendo prefeito de Pedreiras, um dia?
DR. ALLAN ROBERTO: Eu não pretendo ser vereador nunca mais, apesar de que em política não existe nunca. Apesar do cargo de Presidente ser uma coisa muito desejada por todos os vereadores – eu fui duas vezes – não me agradou muito a vereança, muito menos a Chefia do Legislativo. Eu não lhe dizer que eu não queira ser prefeito de Pedreiras. Mas não está nos meus planos. Eu gosto muito da articulação, do jogo de bastidores, das alianças e das costuras políticas. Na verdade, eu não estou fora da política de Pedreiras. Um dia desses disseram no Blog que eu apareço a cada política, a cada campanha e volto para São Luís e, não dou a minha “cara à tapa.” Olha, primeiro, eu saí daqui, em 2007. De lá para cá, essa será a terceira campanha. Eu sou filho de Pedreiras e venho votar aqui. E, dou à “cara a tapa”, sim, e, estou dando aqui agora, como dou a cada campanha. Na verdade, não está nos meus planos, pelo menos para breve, curto e médio prazo ser candidato a nenhum cargo público em Pedreiras. Está nos meus planos coordenar essa campanha, eleger o candidato do nosso grupo e voltar para São Luís. Eu tenho 05 empregos em São Luís. Estou de licença dos 05 empregos e voltar para São Luis, até porque lá, eu faço um tipo de medicina diferente daqui eu faço aqui. Eu queria complementar, de que aqui em Pedreiras, eu gostaria que tivesse um Ministério Público de verdade e uma Vara da Fazenda Pública no Judiciário de verdade. Aqui acontece um negócio interessante: só não estar pior, porque em algumas situações pontuais, o Ministério Público é quem vem governando, exercendo o papel de prefeito. Até obra pública, promotor inaugura em Pedreiras e, justifica a ausência de prefeito. Quando na verdade, isso não é função do Ministério Público. Eu queria que O Ministério Público se posicionasse verdadeiramente para o papel que a Constituição dá para Ele, que é de defensor da sociedade. Porque se tivesse Ministério Público, de fato, em Pedreiras e, a Vara da Fazenda Pública funcionasse aqui em Pedreiras, esse Prefeito que está aí, já estava afastado e até preso. O que acontece em Pedreiras é piada. Até governar, Promotor governa no lugar do Prefeito e, até obra pública, Promotor inaugura.
JOAQUIM FILHO: Dr. Allan, nós queremos agradecer pela sua atenção, pela sua entrevista e, nós vamos abrir o espaço para as suas considerações finais, para o que o senhor quiser mais falar, o senhor pode ficar à vontade.
DR. ALLAN ROBERTO: O que eu queria colocar por último é do presente que é para Pedreiras o Blog Pedras Verdes. Pela primeira vez eu vejo nessa cidade algo de realmente novo. Novo no aspecto de permitir a liberdade de expressão. Porque tudo que havia no ramo jornalístico aqui, antes tinha dono. Tinha dono, então, havia censura! Só podia publicar aquilo que o grupo político daquele dono permitia. E, além de ser publicado, ainda havia todo um exagero em relação ao que de fato era realizado. Eu lamento muito, porque era uma das qualidades melhor do Blog, ter-se perdido no anonimato. De quem era o Mr. HEEL. Porque isso garantia mais ainda a segurança quanto à imparcialidade total do Blog. Não é que eu acredite que o Blog com ele não sendo mais anônimo, perca a imparcialidade. Mas é porque sabendo com quem ele trabalha de quem ele é filho, as pessoas podem suspeitar que não seja tão imparcial. E, sendo anônimo, não havia nenhuma sombra de suspeita. Então, o Blog Pedras Verdes realmente é a melhor coisa, o melhor fato ocorrido no ramo jornalístico, em Pedreiras dos 20 anos em minha opinião. E, vocês fazem um excelente trabalho. Eu só tenha a agradecer pelo bem e pelo serviço prestado do que vocês fazem a Pedreiras.
DOWNLOAD DO ÁUDIO DA ENTREVISTA EM MP3 AQUI: BAIXAR AQUI
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