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TRISTE REALIDADE NATALINA - por Joaquim Filho

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Quando eu era criança, que chegava a época do Natal, eu criava dentro de mim uma grande expectativa de ganhar o presente dos meus sonhos. E o que seria o presente dos meus sonhos? Ora, seria qualquer coisa que naquele momento eu desejasse e tivesse a liberdade de escolher e dizer para meu pai ou minha mãe que a comprasse. Liberdade de dizer o que eu queria, eu tinha, agora, o privilégio de ganhar, não.

Os presentes que eu recebi em todos os Natais da minha vida, nunca foram os presentes que eu escolhi ou desejei. Todos foram ao gosto dos meus pais. Então, isso criou dentro de mim uma insatisfação, uma revolta e um descontentamento. Eu ainda diria que isso gerou em mim, um trauma natalino.

Mas o tempo foi passando, passando, passando... E hoje, no patamar dos meus 47 anos, vejo que abaixo de Deus, o maior sábio, o maior mestre é o tempo. Impressionante como o tempo nos ensina e nos mostra a cruel realidade da vida.

Bem antes que eu concluísse o meu Curso de Letras, na Faculdade de Educação São Francisco - FAESF (com muito orgulho), o Romantismo era a corrente literária que mais me enchia os meus olhos de encantamento. Mas graças a dois grandes educadores, Nazeldo Cruz e Romildo Rios, com quem tive o prazer de estudar a disciplina Literatura, aprendi que é no Realismo que aprendemos enxergar o mundo e lê as pessoas na sua condição humana. No Realismo não há máscara.

Referindo-me ainda sobre o Natal, Papai Noel e os presentes que eu sonhei e nunca os recebi, hoje peço mil desculpas ao meu Papai Noel, porque somente hoje eu conheço o meu Papai Noel como ninguém. 

Meu Papai Noel foi um menino pobre, que chegou a Pedreiras ainda criança sendo transportado de animal juntamente com toda a sua família. Veio do Estado do Ceará fugindo da seca, da miséria e da grande pobreza. Aqui foi morar na casa dos barões da época. Viveu no convívio das casas das famílias João Chaves e Zinô Caldeira. Nunca teve o prazer de ir a uma escola, mas com muito esforço aprendeu a profissão de maquinista de usina de pilar arroz. Como educação escolar, a única coisa que aprendeu, foi a desenhar o seu nome: Joaquim Ferreira da Silva.

O meu Papai Noel sempre trabalhou muito, mas pouco dinheiro levava para casa. O pouco que ganhou na vida foi suficiente somente para a sobrevivência da família. E, se o meu amado Papai Noel nunca pode dar-me o presente dos meus sonhos, por toda a sua vida e até hoje vem me dando amor, carinho e o prazer de poder dizer que tenho muito orgulho de ser seu filho.

Neste Natal, para milhões de crianças no mundo inteiro, não será diferente. Quando for à manhã do dia 25, muitas nem se quer saberão o que é ter pai, ter uma família, imagine ter o presente dos seus sonhos.

Neste Natal, a única coisa que eu quero pedir a Papai Noel, é que Ele possa em 2012, me manter bem distante de toda maldade que há no mundo. Que Ele possa manter bem longe de mim, todos os falsos amigos que, em 2011, movidos pela inveja e a falsidade, não tiveram a altivez de se alegrarem com o nosso sucesso.

JOAQUIM FERREIRA FILHO
Graduado em Letras pela Faculdade de Educação São Francisco – FAESF
Membro-fundador da Academia Pedreirense de Letras – APL
Rua Corinto Nascimento, 39 – Goiabal – Pedreiras/MA.
(99) 8110.3668
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