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Vítimas da chuva em Trizidela do Vale já esperam pelo pior

domingo, 18 de dezembro de 2011



Rio Mearim - Pedreiras/Trizidela do Vale, MA - Brasil.

Trizidela do Vale - O período chuvoso ainda não começou no município de Trizidela do Vale. Mas as pessoas que moram à margem do Rio Mearim vivem dia após dia com uma lamentável certeza: quando a chuva apertar e o nível do rio subir, terão de abandonar suas casas. O problema atinge pelo menos dois mil ribeirinhos que residem em três ruas do Centro da cidade, próximas ao rio. A história se repete há décadas, mas não existem planos para solucionar o problema, apenas estratégias emergenciais para remoção das famílias e doação de cestas básicas após a inundação das casas.


A estudante Luana Santos, 16 anos, mora na Rua Collor de Melo no Centro do município de Trizidela do Vale e mostra na janela de casa a marca da última enchente ocorrida em fevereiro deste ano. A mancha não é apenas a lembrança de um problema passado, mas a evidência de uma realidade que atinge pelo menos duas mil pessoas que moram na região. Eles utilizam um único recurso como prevenção contra a cheia do Rio Mearim: esperam a enchente chegar.

Luana explica que todos os anos, a partir de fevereiro, a família organiza os pertences de casa, guardando tudo em malas para facilitar a saída de casa. “Retiramos algumas coisas antes e arrumamos as malas, aí ficamos esperando a enchente chegar. Quando a água alcança o chão nós vamos embora”, conta. O período de alagamento também impede a prática da lavoura, uma das atividades comuns entre os moradores.

Os móveis, como sofás, guarda-roupas, mais eletrodomésticos retirados das casas são transferidos normalmente para escolas da própria cidade ou do município vizinho de Pedreiras. Em alguns casos, as pessoas transferem os materiais para a casa de parentes, moradores dos bairros mais altos, como o Aeroporto. Essa foi a alternativa encontrada pela lavradora Rosilene Lima Sousa, 30 anos, durante a enchente do início deste ano.

Rosilene mora na Rua do Tamarino que fica de frente para o Rio. Ela explica que é comum com o início das chuvas em fevereiro, a água alcançar a pista e ficar no batente de casa. O sinal de que a situação vai piorar é visto pelo quintal de casa, mais baixo do que a frente da residência, por onde a água avança com mais força. “Das três ruas aqui é a que demora mais a encher, mas quando enche, a gente vai logo embora”, comenta.

O orçamento da lavradora é baixo, não ultrapassa um salário mínimo, mas ainda assim, além do sustento dos três filhos, o dinheiro é dividido com a reparação de danos provocados pela enchente. Ela explica que nem sempre é possível consertar tudo, as paredes da cozinha ainda mostram rachaduras do alagamento de 2009, o piso ficou completamente destruído e teve que ser refeito.

Rosilene afirma que durante os períodos de cheia, a população atingida recebe ajuda da prefeitura para retirar os moveis e outros materiais de casa, assim como cestas básicas durante o período em que ficam nos abrigos improvisados em escolas e galpões. Contudo, a mulher reclama que, posteriormente, nos gastos para recuperar a casa não conta com o auxílio do poder público, assim como as outras famílias desabrigadas.

Ao longo dos 20 anos que mora no local, a lavradora já aprendeu a conviver com o problema, o que não significa que esteja conformada com a situação. O nível das águas fica em torno de 50 centímetros no interior da residência dela, sendo que em 2009 chegou a 1,2 metros. “Que a gente tem vontade de mudar para outro lugar a gente tem, mas não temos condição de comprar outra casa. É difícil encontrar comprador e nunca oferecem o suficiente para comprarmos outra casa”, desabafa.

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